domingo, 17 de fevereiro de 2008

Uns mil metros dos alpes: o mais perto que cheguei da neve ate agora

(fotos no meu face book: http://www.facebook.com/profile.php?id=1100425464)


Perto da Suiça, ao pé dos Alpes, 145 quilometros de Lyon. Annecy e uma cidade calma, segue a risca o peculiar estilo frances : comercios fecham antes das 19h e quem nao comprou nada pra jantar fica sem.

Estive la no dia 26 de janeiro – obvio que guardei a passagem – no meu primeiro final de semana fora do Brasil. Conhecida pelo gigantesco « Lac d’annecy » ( que possui, segundo a Wikipedia, 27,59 quilometros quadrados de superficie e 1.124,5 metros cubicos de volume) a cidade tambem atrai os turistas por causa dos castelos e outras contrucoes medievais.

Fomos eu, o Paulinho a Marcela (tambem ecana, que instalou o Paulinho quando chega mos em Lyon) e o Geraldo – amigo da irma da Marcela que fez Sao Fran com ela e agora faz um mestrado na Sorbonne.

A Marcela mora em Lyon desde o inicio do segundo semestre de 2006 (primeiro semestre letivo na europa) e ja viajou bastante. Ela comparou Annecy com Veneza por conta dos pequenos riozinhos que correm do grande lago e cortam as ruelas estreitas da cidade.

Os arcos romanos abrindo passagem entre as paredes de grandes pedras (elas tem um nome especifico que esqueci) fazem com que a feira de artesanato que se espalha por Annecy se torne ainda mais especial.

Diferente do que vemos quando excurcionamos pelo interior do Brasil, os artesanatos de Annecy sao procuzidos realmente pelo artesao que os vende. Lembro que em Manaus vi o mesmo bonequinho em umas oito barraquinhas.

O preço do prazer
Nesse dia devo ter gastado uns 25 euros com a vigem. Fora isso, fiz um investimento de longo prazo : 49 euros por uma carteirinha que da 50% de desconto em passagens de trem pra quem esta na faixa entre 12 e 25 anos, a « carte 12-25 ».

Pra Annecy, a passagem custa 21,60 euros. Foi o que paguei ida e volta com a carte. Outra parte das despesas foram os 2 euros do ingresso pra entar nos « Musées de la Communauté de l’Aglomération d’Annecy », uma serie de museus com acervo fixo que funcionam dentro do unico castelo da cidade, conforme nos informaram na recepçao do lugar.

Alem disso, gastamos com os vinhos que tomamos dentro do castelo mesmo, sentados ao lado de uma janela, nas pedras da construcao.


Desabafo 1 : A « carte 12-25 » e uma especie de carteirinha da juventude, pra quem tem entre 12 e 25 anos. Alem das passagens, dizem que ela da vantagem em outras coisas. Nao descobri ainda quais. Uma constante dessas carteirinhas, alias, e dar vantagem em uma porrada de lugar sem que os portadores saibam onde utilizar.

Desabafo 2 : Pra se matricular na Universidade, morar em residencia universitaria e poder sair na rua sem risco de ser deportado, precisamos pagar, na França, um seguro saude (192€), seguro sobre seu alojamento (uns 38€) ; uma « responsabilité civile » (em torno de 12€; serve pra garantir : reparos no patrimonio publico que voce venha a destruir, assistencia pra algum frances que voce soque durante sua estadia ou qualquer outra coisa caso voce se envolva num acidente). A companhia de seguros tambem da uma carteirinha de estudante super vantajosa.

Desabafo3 : Pra obter o « titre de sejour », a carta de residente na França, necessita-se entregar fotos, declaracao com firma reconhecida de alguem afirmando que te banca, comprovante de matricula na Universidade francesa e dois pequenos selos que custam 70€.

Desabafo4 : Antes de vir pra França fui obrigado a me inscrever numa espécie de Orkut do consulado frances, o Campus France. O valor da brincadeira e 230 reais, perto dos 60€, eu acho. Esse orkut serve pra ajudar quem ainda nao achou uma universidade na franca, marcar entrevista com o candidato e etc. No meu caso eu ja tinha ate o papel pra me matricular… Mas me obrigaram a fazer a inscricao.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Chez moi en France!

Desde 2 de fevereiro tenho um lugar fixo pra morar em Lyon. Apos nove dias na casa do Verissimo em companhia do Paulinho, mudei pra Residencia Universitaria Andre Alix. No alto de uma colina, proxima ao historico quartier Saint Jean, a residencia fica no quinto distrito de Lyon – no total sao nove.

Meu quarto tem nove metros quadrados, uma pia, um armario, uma prateleira, uma cama, uma escrivaninha e duas cadeiras. O resto eu que « emporté du Brésil » : camisetas, calcas, tenis, blusas, meias, cuecas, livros e etc.

Abrindo a porta e virando pra direita, ve-se a pia, com uma pequena estantezinha de vidro logo abaixo do espelho onde coloquei desodorante, pos barba, escova de dente, sabonete e afins. Virando à esquerda, tem-se o armario e suas duas portas : a de baixo, maior, com espaço pros cabides; a de cima, quando aberta, da lugar às camisetas dobradas que eu nem penso em passar à ferro apos lavar no meu quarto mesmo – a forma mais comum de os estudantes resolverem o problema de gastar dinheiro em lavanderias.

A parte frontal do quarto - « la chambre », no feminino mesmo – separa-se da segunda e ultima por uma paredinha perpendicular à pia. Logo apos essa paredinha vem a cama, que tem um cochao mole que so a peste. Do lado que nao fica a cama esta a prateleira chumbada, espero eu, na parede.

Coloquei meus livro na parte central da prateleira. Nos lados, onde ficam as portinhas, coloquei meus « alimentos », estoque de Neosoro pra alguns meses e coisas eletricas – gastei uma grana com um tranformador de voltagem pro barbeador, aqui é tudo 220 ou 230 volts, muito mais que os 110 volts brasucas.

Embaixo dessa prateleira, a escrivaninha, ja abarrotada com minha bagunça composta pelos trocentos papeis que deram quando cheguei na universidade e na moradia estudantil – regras de convivencia, quais as vantagens de ser estudante, como tirar xerox – alem dos manuais do computador, jornais e folhetos que me dao na rua. Ah… os textos das aulas da semana que ja passou que ainda nao li.

Por fim, minha janela fica quase sempre fechada com sua cortininha vermelha - porque ela abre pro predio « K » da residencia e nao quero que fiquem me olhando da mesma forma que fiz com a vizinha da frente no primeiro dia que cheguei aqui.

Esqueci de mencionar o pote de um generico do nutela e o saco de pao de forma em cima da escrivaninha. Comprar genericos sai muito em conta aqui. Enquanto « moramos » chez Verrissimo (que significa « na casa do Verissimo ») eu e o Paulinho andamos muito pelo centro de Lyon, pelo quartier Jean Macé e seus arredores – onde fica o apartamento que nos foi emprestado.

Entramos em muitos supermercados e pesauisamos precos. Ha marcas extremamente baratas, a ponto de comprarmos esse nutela generico por menos da metade do preco do original – que é mania nacional aqui.

Um dia nos achamos malandros por comprar uma garrafa de soda limonada com 1litro por um euro e vinte centavos (« vinte centimes »). A garrafa era de vidro e o sprite custava tres vezes mais pelo que lembro.

Um dia depois, olhamos na prateleira de baixo… O chamado fundo do poco… Achamos uma soda, em garrafa de plastico, com um litro e meio, por 70 centimes. Pegamos. Antes de sair, conseguimos olhar mais embaixo e levamos um produto similar por 36 centimes.

No outro dia estavamos com pressa e aceitamos fazer compras em outro mercado, penalizados com a ideia de pagar mais que 36 cents numa soda. Pra nossa surpresa, nao so achamos outro produto correspondente ao anterior por 24 cents como esse tinha de varios sabores : cada um com sua cor radioativa correspondente.

Cozinhamos muito macarrao « chez Verissimo ». Na verdade, tudo o que cozinhamos foi macarrao, todos os dias – com excessao das 3 pizzas congeladas que compramos juntas por 1,5 euros.

Rodamos o contro de Lyon por seis horas na segunda semana chez Verissimo. Ta rolando o que chamam de « solde » aqui. Com a mudanca de estacao, de inverno pra sei la qual, as lojas querem vender toda a colecao antiga ou se livrar do estoque pra reformar o ambiente.

Encontramos coisas baratissimas, como casacos otimos à 50 euros, camisas lindas, calisetas e calcas estilosas. Porem, nessas seis horas, tudo o que compramos, ainda bem, foram tres tocas de tres euros cada. O elastico ja nao e o mesmo apos mais de dez dias de uso.

Entramos numa onda consumista de querer as coisas. Quase nos convencem que ter um Ipod e mais barato que nao ter um. Se pagassemos 299 euros num notebook aceitando assinar o servico de internet sem fio de uma companhia local (30 euros por mes durante um ano) ganhariamos um Ipod. Bizarro. Mas ja passou.

Pesquisamos nesse mesmo dia precos de celular, mas nao compramos porque queriamos pedir dicas pro Verissimo sobre os melhores negocios quando ele voltasse do Marrocos. O computador compramos alguns dias depois por 500 euros (160G de HD com a bosta do windows vista).

Apos nosso mega role cheira-vitrine voltamos pro ape do Verissimo, jantamos jogamos dardos e saimos denovo. Fomos a pe ate a regiao do Hotel de Ville, onde rolam as baladas da juventude de aqui. Sem o cartao do passe escolar, andar era a melhor opçao. Fizemos isso por muitos dias, ate que no setimo dia « chez Verissimo » a fadiga bateu forte na cabeca.

A disposicao pra conversar, cantar Bruno e Marrone junto com o DVD que eu troxe do Brasil e nao paramos de ouvir « por um minuto » e jogar dardo estava quase esgotada. Nada como uma bela dormida pra resolver. No outro dia acho que andamos o triplo de tudo que ja haviamos andado.

Primeiro de fevereiro fizemos o bilhete de estudante e resolvemos o problema. Antes disso nao valia a pena porque funciona assim : paga-se 30 euros e pode-se pegar quantas conducoes quiser, quantas vezes por dia desejar, durante o mes todo. Logo, fazer o cartao no fil de janeiro seria pagar pra quase nao usar.

Em Lyon existe uma malha de transporte publico muito organizada e eficiente. Apesar de a cidade ser pequena, ela conta com diversas linhas de metro que se cruzam, com muitas linhas de onibus, com uma especie de fura-fila chamado « tramway » e outras modalidades de tranporte – como a « velov », bicicletas publicas que ficam estacionadas pela cidade e podem ser retiradas por qualquer pessoa, mediante apresentacao de uma calcao com o cartao do banco ou o numero de cadastro de estudante no site da velov, ou algo do tipo, nao sei direito porque ainda nao usei.
Depois de mudar pra Alix, caminhar pra efetuar deslocamentos passou a ser mais complicado.

Apesar de tudo ser perto em Lyon, a subida da colina nao e facil. Dissemos que, morando no Verissimo era como estar na Paulista – perto do centro, da universidade, da Vila Madalena e etc. Na Alix, estariamos mais no comeco da Rua da Consolacao.

Demos entrada aqui no dia 31 de janeiro. Dia 1 de fevereiro fizemos a adiavel mudanca com nossa porrada de mala. Dia dois estavamos todos pimpoes durlindo no quarto da residencia.
Por hora e so. Ainda aguardo receber minha senha pra usar o Wi Fi no quarto, por isso nao posto o texto logo na sequencia . Sao meia noite e cinquenta e quatro em Lyon e devo acordar as oito pra estar na aula as 9h45 amanha. Esse curso fica no Campus do Bron, um bairro afastado de Lyon – demoro uns 40 minutos pra chegar la. E isso. Abracao a todos, ate breve !!!
Fabio, domingo, 10 de fevereiro – na verdade ja e segunda…

P.S. : A falta de acentos proprios à lingua portuguesa neste texto se deve à inexistencia deles no teclado frances do notebook. Perguntei como resolver o problema ao vendedor, pois o acento agudo e bastante frequente tambem em Frances. « Nao uso acento quando escrevo », disse ele persuasivamente. Depois, o Verissimo me mostrou que as letras acentuadas no frances como o « é », tem uma tecla propria aqui. Daqui pra frente o « i », « o », « a » e etc. nao receberam acento de mim… So quando eu tiver saco pra copiar e colar do Google.

P.S .2 : O Rival do Lyon é o Saint Etienne. Dia 19 de fevereiro tem Lyon e Manchester pela copa dos campeoes. Quando cheguei aqui os ingressos ja haviam se esgotado (30 euros os mais baratos). Vi pra vender na rua por 120 euros.