domingo, 1 de março de 2009

Trabalho: entre eu e os ratos

Entrei naquele salão usado como escritorio pelos donos do restaurante e recebi a proposta de trabalhar como garçon. Nao fosse pelo “Tambem posso trabalhar na cozinha” e talvez meu primeiro emprego em Lyon ainda tivesse demorado mais uns três ou quatro para chegar.


Uma de minhas primeiras atitudes quando cheguei ao Velho Mundo foi aprontar um CV em francês. Com a ajuda do Verissimo – estudante da eca que ficou dois anos na França - nao so traduzi minhas experiencias escolares e profissionais como tambem adquiri outras.

- Como voce arrumou seus trampos aqui?

- Mente no curriculo!

- Como assim?

- Bota que ja trampou de garcon. No meu curriculo eu ja fui ate gerente de restaurante!

Feito. Eu, Fabio Brandt (sempre economizo o “Ribeiro da Silva”) ja tinha sido responsavel por receber gente em festas e restaurantes; tinha experiência como garcon e auxiliar de cozinha num restaurante chamado “Eneyda’s” - sim, minha avo se chama Eneyda. De quebra, transformei o CA da ECA numa empresa de confraternizacoes universitarias.


Distribui copias do CV a esmo. Nao foi facil: sem dominar o idioma mesmo pra perguntar de onibus, eu estava, pelo menos, nervoso.


O Paulinho foi comigo pra dar apoio moral. Ele tambem queria distribuir CVs, mas ainda nao os tinha aprontado.

“Pizza Pinno”. Rede de restaurante que tambem vi em Paris e outras cidades da França.

- Beno diea! Io guostarhia de deisharrr mio curicolum. Eh pussiveu? (simulacao em portugues do meu frances em fevereiro de 2008).


O cara perguntou se eu queria ser garcom ou chefe de cozinha e eu respondi “chefe de cozinha”. Motivo de risos…

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Um ou dois meses depois da peregrinacao, me telefonaram.


Obvio que nao entendi o nome do restaurante de onde me chamavam, mas compreendi o nome da rua e o numero.


Dia e hora combinados, la estava eu. “Finalmente vou ganhar alguma coisa nessa porra de lugar onde eu so gasto…”


Chego ao saguao. Procuro por Christophe.


Me recebe uma mulher loira, cabelos lisos terminando à altura do pescoço. Os fixos olhos castanhos brilhavam agitatamente contradizendo a calma do falar e do mover.


Tentei me concentrar no que ela dizia ate chegar o Chritophe. Como a mulher, tinha seus 1,70 metros e, fora isso, somente a placidez do falar eram comuns. Este tinha os cabelos grisalhos, nao loiros, e mesmo que vivantes, esses fios capilares nao me chamaram tanta atencao quanto os que me receberam.


Comprendi que eram casados. Ela, Fleur, cuida da parte administrativa: contratos, pagamentos, balanco. Ele, cuida da pratica: gerencia o bar, supervisiona o servico.


Perguntam de minhas experiencias. Tirando os dois meses de Mc Donalds (que viraram quatro ou seis no CV frances) o resto era tudo lorota.

- Sim, ja trabalhei com isso. Gosto de cozinha…

- Mas a vaga e de garcon, voce pode vir um dia dessa semana pra treinar?

- Ah, ok!, digo com uma cautela, quase pavor… de trabalho…

- E, Fleur, anota que ele é disponivel pra cozinha também

- Certeza? pergunta a mulher


Ele indica que sim. Ela faz semblante de que algo nao vai bem… Seria a cozinha muita responsabilidade pra um garotinho em camisa e mochilinha nas costas?

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Dois dias depois, uma quinta-feira, passei duas horas com Jeremy, o jovem barman que ja trabalhava no Café 203 (esse e o nome do local) ha nove anos. Ele me observava e explicava como pegar a bandeja, como levá-la, como dispor os cinzeiros em cima dela, o mesmo com tacas, copos e talheres. Tambem dizia pra receber os clientes sempre com sorriso e bom humor. Nunca ficar com as maos nos bolsos e estar sempre disposto a limpar tudo: mesa, chao, parede, balcao. Estar atento a quem entra e sai.


Servi umas mesas e ouvi bastante. Lavei os talheres com auxilio de uma maquina que… sinceramente, achei complicada (mesmo que eu devesse apenas colocar as coisas dentro, ligar e depois da campanhia retirar tudo pra secar).


Esse foi o treinamento pra garcon…


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Uns dias depois, telefonaram.

- Pode vir na sexta pra fazer o treinamento de cozinha?


“Talvez queiram que eu reveze nas duas areas”, pensei.


Durante seis horas um francês chamado Daniel me explicou o serviço do cozinheiro noturno: praticamente, tratava-se de esquentar as comidas que o cozinheiro do dia ja deixava prontas e montar os pratos. Alem disso, o trabalho incluía montar as saladas que acompanhavam cada prato servido, montar os cestinhos de pao, lavar a louca, varrer e lavar o chao, limpar o forno, polir bancadas, organizar freezers etc etc etc


Daniel me mostrou seu jeito de organizar e executar o servico. “Se quiser fazer do seu jeito depois, tudo bem. Mas te mostro assim porque ha 19 anos funciona muito bem comigo”, segundo ele mesmo, aos seus mais de trinta e cinco anos – nao me lembro sua idade precisa.


Como Jeremy, Daniel nunca havia revezado de area e comprendi que seria ou cozinha ou balcao.


“E o que voce queria fazer, Fabio?”, perguntarao alguns de voces. “Beber cerveja na margem do Rio”, responderei.


O trampo no Cafe me animava, seja cozinha, seja bar. O problema, como diria o legendário Don Ramon, é executar o trampo. Por isso, entendi bem rapido que a cozinha era mais barra-pesada: correria doida realizada todas as notes por uma unica pessoa relegada aos fundos do restaurante.


No balcao, entretanto, estaria exposto ao constante ridiculo das piadas e olhares dos franceses (paranoia???).

No fim das contas nem tive opcao.


“Queremos te contratar e te oferecemos uma vaga de cozinha”, me disseram na hora de assinar o contrato.


Nao tenho barba, nao falava um frances dos melhores, posso ate nao ser o cara mais descolado do mundo… sera que fui tao mal como garcon???


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Naquela sexta-feira em que Daniel me apresentou a cozinha, tudo estava uma zona (“le bordel”). Ele parecia puto por precisar me ensinar o servico e trabalhar ao mesmo tempo, mas quando colocou tudo sobcontrole e me fez trampar em seu lugar, comecou a simpatizar com a ideia de coonversar com o brasileiro.


Colocar tudo sobcontrore significa limpar a sujeira que o cozinheiro do dia havia deixado e abastecer a pequena cozinha pra guerra que haveria naquela noite. Tudo em pouco tempo, pois eram 18h e a restauracao sempre abre às 19h.


Pilhas de pratos, garfos e facas deveriam ser lavadas numa maquina bem maior que a do balcao (!); O carro de compras que o dono, ou seja, Christophe, tinha acabado de estacionar nos fundos do estabelecimento devia ser descarregado (!); o garcon deveria ser informado sobre o que escrever na pequena lousa que mostra o cardapio pros clientes (!).


Nenhuma dessas frases na voz passiva tem Deus ou uma entidade suprema como sujeito. Tudo é rarefa do cozinheiro.


A cozinha do Cafe 203 é bem grande, se considerarmos as três partes que a compoem: a parte dos fundos, grande e com um mezanino, tem uma bancada pra preparação das massas e doces e três grandes freezers pra armazená-los; a parte intermediaria tem outro freezer de armazenamento, uma estante com os potes de chas servidos pelo bar e a guilhotina de cortar pão utilizada pelo (!) cozinheiro…; finalmente a parte da frente, um cubículo localizado imediatamente atrás do bar.


Esse cubicolo seria a cozinha propriamente dita pro cozinheiro noturno, uma vez que e nele que esse sujeito deve preparar os pratos e despacha-los ao bar, receber a louca suja pra lavar na capiciosa maquina e passar a maior parte do tempo nos dias de grande movimento.


Ou seja, durante os dois meses que trampei no Cafe, esse cubicolo marcou uma presenca um tanto forte no meu mundo, real e immaginario. No comeco, trabalhei so de domingo, quatro semanas. Depois, um sabado. Depois, um sabado seguido por domingo e segunda. At eque trampei cinco dias de uma so semana. Obvio que o Mc Donald’s era mais pesado, mas, mesmo assim, continuo sendo gente. Ao menos é o que espero.


Bom, como era o cubicolo? A porta que o separava do balcao ficava bloqueada por tres pranchas paralelas de madeira macica e pesada, onde se apoiam os pratos que vao e voltam das mesas. Duas dessas pranchas eram removíveis e eu as devia, ritualisticamente, apanhar de uma altura maior que a minha e encaixa-las no batente da porta antes de iniciar o trabalho.


A prancha de baixo, na altura de minhas canelas, tinha uma caixinha de metal pros garcons jogarem os talheres sujos (que eu lavaria depois…) e um buraco pra botar saco de lixo. A prancha do meio, na altura da barriga, tinha uma caixa de metal também, e a prancha de cima, a fixa, era simples – nela eu colocava potinhos de amendoim que o garçom servia às mesas.


Apesar de cubicolo (cubo!), a cozinha tinhas seus tres metros quadrados. O metro restante ficava inutilizado por uma parede saliente que fazia ângulo reto com uma porta que levava às partes intermediaria e dos fundos da cozinha. Ou seja, o cubicolo tem duas paredes maiores (a da porta que sai no bar e uma parede perpendicular a ela).


Oposta à porta que saia no bar, estava uma das paredes pequenas, limitada pela porta que levava aos fundos. Nela, fica so uma pia.


Na outra parede pequena, estava instalada a também pequena bancada utilizada para preparacao dos pratos e, abaixo dela, dois frigobares, um pra sobremesas e outro pra pratos salgados.


Pra fechar o “quase-cubo”, a outra parede grande, oposta à bancada de preparação e perpendicular à porta que sai pro bar. Nela apoiaram-se o fogao, o forno e a maquina de lavar louca, o exaustor de teto e um monte de outras parafernalias, sempre com aspecto metalico, estilo qualquer cozinha de buteco que voces possam olhar.


Mas, esse aqui nao tinha ferrugem, posso garantir.

Nao mencionei, mas sobre a bancada de preparacao dos pratos havia uma prateleira. Nela ficavam os pratos brancos e redondos usados pra servir os pratos salgados, os principais. Tambem os pratos transparentes e quadrados, usados pra botar a salada que acompanha todos os pratos salgados. Tambem os pequenos, reodondos e transparentes pratos pra sobremesa e uma serie de outros utensilios.


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Meu ex-chefe, Christophe Cedat, possui um Peugeot 203 adaptado em caminhonete. Pra mim, o nome do Cafe vem dai.

Usado na promocao do estabelecimento, a antiquaria sobre rodas vira carro de som em feriados e dias de festa na cidade de Lyon. Faz a alegria da aglomeracao de fanfarroes que se forma em frente ao bar e o desespero dos vizinhos.

Alem do Cafe 203, Christophe (como e chamado por todos, a despeito do formalismo frances) é proprietario de uma boulangerie (padaria/doceria) e do Cafe 100 Tabac, onde ja era proibido fumar antes mesmo da lei francesa que entrou em vigor em janeiro de 2008. Algo como ocorre em Sao Paulo: "è proibido fumar dentro do recinto…."

Sacada: 100 Tabac = sans tabac = sem tabaco! Genial!

No Cafe 203, a coisa muda: Christophe o transformou no mais badalado foco de resistencia contra a Lei antitabaco em Lyon. Por algum tempo o lugar ganhou as paginas dos jornais locais por conta de seus afrontos à prefeitura e das confusoes ali ocorridas.

Um dia, enquanto eu tentava me livrar do tedio na cozinha procurando uma corda pra me enforcar, reparei que o chefe dava uma entrevista no balcao. "Numa democracia deve-se ter direito de fumar" "O tabaco nao faz esse mal à saude que publicizam". Tudo isso em frente a um quadro, colocado na entrada do Café, com uma frase de ninguém menos que Adolf, o Hitler: "O Cigarro faz mal a saude do homem", algo do tipo.

Membro do MoDem (Movimento Democratico), Christophe apoiou a eleicao de Sarcozy, mesmo que o publico em seus estabelecimentos seja majoritariamente de artistas considerados "de esquerda" – uma contradicao ressaltada no verbete "Christophe Cedat" do site www.cafe203.com.

O mesmo artigo conta que o pai de Christophe fez epoca no RPR, partido de direita, e o filho tambem tem pretencoes politicas: nas eleicoes legislativas de 2002 foi candidato mas sem sucesso.

Pra combater o "atentado a democracia" trazido pela lei de janeiro, o empresario Christophe resolveu unir militancia e publicidade para o Cafe 203. Fotografa cada cinzeiro deixado pelos clientes no estabelecimento. Depois imprime a foto em papel redondo e cola no fundo de outros cinzeiros, usados como enfeite no local e distribuidos (ele nao me respondeu pra quem).

As fotos tambem inspiraram quadros: cada um com um cinzeiro centrado sobre um fundo colorido (que pode ser amarelo ou verde ou azul ou vermelho, mas sempre com um cinzeiro no centro).

Nas paredes do Cafe 2003, sacos plasticos transparentes com bitucas de cigarro e cinzas dentro. Quilos desse tipo de dejeto, separado por dia e horario de recolha, como mostram as etiquetas que identificam cada pacate da exposicao. "Fazemos um estudo sociologico com isso", me disse o jovem Gabriel, ex-cozinheiro do Cafe e atual fotografo de cinzeiros – e potencial cover do Raul Seixas, é identico.

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Na cozinha, Christophe reprovou tudo o que Daniel me ensinou. Fez eu reaprender cada etapa do procedimento nos primeiros dias em que estive sozinho, como se eu nao tivesse sido competente para aprender as licoes do outro cozinheiro. "Nao deixe essas coisas ai". "Mas ele me disse que se nao fosse assim nao funcionava…" "Nao importa…"

No fim das contas, ele tinha um modo de fazer diferente daquele de Daniel. Nao me preocupei, pensei que receberia do mesmo jeito e segui ouvindo, refazendo. Sendo pago, ta valendo.

Limpeza, organizacao. "Nao se deixa tudo assim! E pro-i-bi-do! Not do!!!"

Entre as coisas que mais irritam esta um cara que nao fala ingles tentar se comunicar com voce em ingles porque voce e estrangeiro. Outra dessas coisas: um cara que te fala em ingles porque voce e brasileiro. So uma outra: o cara que te fala em espanhol porque voce e brasileiro.

Ta, mais uma: o cara achar que falar mais alto vai ajudar a palava a penetrar no seu cerebro e ativar um sensor cognitivo que te transportara ao plano semiotico dele e te fara entender uma palava que você nunca conheceu antes.

Bom, Christophe tinha um pouco de tudo isso. Mas ate que foi bem paciente. Nao me mandou embora, se irritou com algumas cagadas que fiz – a maior parte relacionada a organizacao da cozinha – mas fez questao de me mostrar a forma correta de fazer o servico. Qual a quantidade exata de comida a colocar no prato, o tamanho da fatia da torta ou do folheado. Como colocar a cobertura numa sobremesa, qual prato escolher pra cada alimento, como enxugar os talheres sem deixar manchas de mao ou agua. Como limpar e encerrar a cozinha etc etc etc

No inicio da noite, sempre de bom humor, me recebia com um sorriso e a preocupacao de saber se tudo estava bem para eu trabalhar. Se eu havia ja compreendido o cardapio a servir, os nomes de todos os pratos e como dispor seus ingredientes de forma bonitinha. Depois, se postava no balcao e ora ou outra conferia os pratos que eu enviava. A comida de rabo mais frequente: "tem muita comida nesse prato!!!!"

Dificilmente me fazia refazer o prato por conta de excesso. A falta, no entanto, sempre foi pecado.

Um dia, gritou, esbravejou e mostrou capacidade de trabalhar rapido. Era sabado, movimento quase nulo. Cozinha e cozinheiro trocando uma ideia. De repente, comeca a chegar gente. Cinco ou seis pedidos ao mesmo tempo. Um so microondas, um so forno eletrico. O que fazer???

Eu ate dava conta de despachar tudo, mas e a louca que retornava? Uma hora aquela montana de pratos, talheres, pratinhos, conchas, pratoes... bom, deu merda. Christophe de alguma uma forma sempre sabia o que se passava no Cafe, mesmo se confinando a algum outro afazer nas redondezas ou em sua casa, um appartamento num dos prédios que ficavam na “vilinha” aos fundos do café.

- O que e isso? Essa pilha pode cair e quebrar toda a louca!!! Tem que organizar!

Em trinta segundos limpou, organizou e me deixou o lugar suficientemente espaçoso pra que eu trabalhasse o resto da noite. Coincidentemente, depois dessa intervencao o movimento acabou.

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Passar o tempo podia significar "experimentar" as sobremesas ou tentar preparar um prato salgado de forma diferente (pra consumo proprio, obvio). Mas, nessa pegada, eu passava mal às vezes. Um dia cheguei em casa enjoado de tanto ter comido um bolinho de carne (afinal de contas, era carne e eu nao perderia a chance…).

Quando a gula ameacava deixar de ser meu esporte preferido no trabalho, eu varria e lavava o chao. Vista a rigidez dos proprietarios e a boa aparência, digna de aprendizes de Roberto Justos (se bem que os respeito mais que o cômico bacanao da TV), espantei-me quando me deparei com um companheiro de cozinha mamífero, quadrúpede, pequeno e cinza. Direito a gritinho básico de bicha. "Uhi!!!".

Ligeiro como o rato mexicano de sombrero, meu futuro brother Mouse cortou a cozinha em um literal piscar de olhos. Gracas a Deus. Ja pensou se ele resolvesse ficar pra perguntar quem eu era?

Presenciei praticamente um protesto dos roedores, com direito a faixa de sindicato e tudo. Nao comprendi a reivindicacao, mas tinha uma lagrima que queria sair do meu olho direito. O esquerdo palpitava.

Evitei os depositos dos fundos naquele dia e, na hora de depositar a camisa de cozinheiro e o avental na lavanderia, eu, confesso, tremia. Esse local ficava fora da cozinha. Devia-se sair da parte maior da cozinha, nos fundos e por os pés no sombrio espaço que abrigava alguns prédios e dava entrada ao salão-escritorio de Christophe.

Enfim, conclui que era absolutamente normal esse tipo de fauna numa cozinha e em locais de estocagem de alimentos, mas, mesmo assim… VAI SE FODERRRRRRRR!!!! Se essa é a fauna, quel serai a flora...

Uns dias depois eu ja tava com amizade feita com os pequenos. Um deles, provavelmente o aviaozinho, passava todo domingo, no mesmo horario, na parede de canto, entre a bancada central e um dos freezers. Como um jato. So se via seu vulto cinza.

Um dia vi um deles que se embrenhava num vao entre uma placa de metal e um buraco na parede. Estava de ponta cabeca e a parte visivel era sua barriguinha, tao pequeno que parecia brinquedo.

E pensar que, pra mostrar servico, no primeiro dia de trampo eu varri cada canto escuro dessa cozinha…

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Passado um mes de trampo, fim de maio, eu ainda nao tinha visto grana alguma e nem tinha perspectivas de escutar um "eis seu salario".

- Fabio, hoje voce nao pode voltar pra casa sem receber. Diz pra eles te pagarem! Dizia a Giuliana com um olhar que significava "Sei un cuglioni, cazzo!", em português: idiota.

Ela teve que fazer isso por três semanas ate eu virar pro Christophe, engrossar a voz, e dizer: "Preciso dar o numero da minha conta pra voces???..."

-Nao, pagamos diretamente.

Um dia depois, tava com minha grana, quase dois meses depois de comecar a trampar. Dolce France...

sábado, 21 de fevereiro de 2009

La France et sa noble cleptomanie

En plus des patrimoines volés, je voulais bien savoir combien d’argent bloqué par le système bancaire français existe

Chez un ami il y a un étager plein de verres volés de quelques pubs de plusieurs pays. Partout dans la France on trouve des choses pareils – Louvre, Musée de Beaux Arts de Lyon, des obélisques etc etc. Ok, ils ne sont pas les seuls : les anglais sont aussi très forts dans ce sport, aussi comme l’Espagne, le Portugal, les Etats Unis, la Chine e dans une dimension plus petite, même le Brésil (c’est pas gratuitement qu’on a un grand territoire).

Attention au fait : la Chine a réclamé dans la justice française la restitution de deux œuvres en bronze, prises du Palais d’été (patrimoine Unesco depuis 1998) par des troupes franco-britanniques autour de 1860 – seconde guerre de l’opium. La demande est venue à l’occasion de la mise en vente, à Paris, d’une collection d’art appartenue au récemment décédé Yves Saint-Laurent et au entrepreneur Pierre Bergé.

Pourtant, le goût historique pour les pillages semblent donner des arguments aux responsables des enchères : contre le gouvernement chinois ils ont rappelé une jurisprudence qui permet la permanence en France des œuvres pillées Grèce, Rome et en toutes les parties du monde – sinon le Musée du Louvre, le plus visité du monde, risquerait d’être vidé de son valeur speciaux.

Ces arguments semblent avoir tranquillisé M. Bergé qui a ironisé la situation en se disant prêt à ramener les pièces chez les chinois s’ils commencent à «respecter les droits de l’homme » et rendent la « liberté » au Tibet.

Tibet et emeurtres de journalistes à côté, on pourrait enterrer la discussion sur l’appropriation des patrimoines nationaux par des anciens empires et potences coloniaux si l’on acceptait, tout simplement, écarter l’étude de l’histoire comme un outil pour mieux comprendre le monde actuel et, pourquoi pas, l’améliorer (une pensée très française, d’ailleurs, diffusée par des intellectuels comme Marc Ferro et Jacques Le Goff).

Comment ça touche le quotidien
J’ai eu une belle soirée dans ma dernière visite à Paris. Avant d’entrer au Louvre par le Jardin des Tuilleries, ma copine Giuliana et moi avons marché dans les « Champs Elysées » depuis l’Arc du Triomphe jusqu’au obélisque égyptien dans la Place de la Concorde.

Pendant je lisais pour la première fois les inscriptions sur le piédestal de l’obélisque et j’apprenais comment les français l’avaient emporté chez eux, je me souvenais d’un copain de Lyon, le québécois Daniel Loutfi, qui m’a raconté sur son voyage au Egypt. Il y avait un obélisque (restitué par François Miterrand) mais il y a avait aussi une place pour un autre : cela qui était devant moi.

Exactement comme posséder la place originale de ce monument, Giuliana « possède » un chèque de environ €20 (remboursement de la caution de son premier logement à Lyon, où elle a resté pour environ un mois). Sa colocataire, Stefania « possède » un chèque pareil.

Mais comme l’horloge reçue par les égyptiens en change de l’obélisque n’a jamais marché, les deux italiennes ne peuvent pas changer le chèque pour de l’argent parce qu’elles l’ont reçu après clôture leurs comptes bancaires en France et le chèque est payable seulement par des institutions bancaires françaises dans un compte personnel.

Comme Giuliana ne croyait pas dans cette situation, je suis allé avec elle chez BNP Paribas et le manager nous a confirmé : ce moins chère ne pas recevoir la somme que l’avoir en Italie.

Le pire était pour venir : elles ont aussi reçu €400 par rapport à la caution de son deuxième logement, où elles ont habité par environ quatre mois. Après l’état de lieux qui les a mis à la porte une journée avant de leur retour en Italie, l’entreprise a oublié de les rembourser et leur a envoyé, avec six moins de retard un autre chèque si sécurisé que même elles, les propriétaires, risquent de n’avoir pas la somme.

La première fois que j’ai quitté la France pendant mon séjour en Europe j’ai vécu une situation pareille : « je vais quitter la France demain à cause d’une urgence et je veux me démissionner », j’ai dit au restaurant où je travaillais comme cuisinier.

Je suis parti avec un chèque d’environ € 200, payable exclusivement en France et une somme en argent référent au paiement « en noir ». L’argent légal j’ai eu plus de deux mois après, quand je suis retourné de l’Italie – si mon urgence était vrai et si je serait vraiment rentré au Brésil, je n’aurait jamais eu les €200.

J’aimerais savoir combien de gens ont leur argent bloqué en France. Entre touristes, étudiants erasmus qui rentrent chez eux, étudiants des autres parties du monde et même si ça se passe avec les français. Alors, peut être que je vais écris sur ça prochainement.

Et la France moderne?
Ok, il n’existe plus de colonies. Maintenant elles s’appellent territoires d’outre-mer ou quelque chose semblable, même que la France n’ait pas eu tort en coloniser et esclavager (à voir : http://survie.org/Conferences-Du-racisme-francais.html). Mais l’état français se n’est pas arrêté :

C’est pas rare de trouver un grand et connu établissement qui fonctionné au noir – contacte le travail des jeunes universitaires et ne paie pas les tasses dues au système social. Mais, il est plus intéressant discuter comment mettre en prison les gens qui téléchargent des films sur internet ou comment entrer dans les écoles et feuiller les enfants. Encore : c’est mieux menacer l’univers du football avec la retraite de la super équipe française du terrain en cas de la marseillaise (la chanson symbole du pouvoir, liberté et égalité pour les bourgeois) subir un nouveau sifflement.

Et les dettes bancaires ? En plus de l’aide au logement que la CAF doit, au moins, à deux de mes amis (somme de environ €1000 qui n’a pas été payé parce qu’ils ont quitté la France avec une promesse de la recevoir dans un compte au Brésil) je connais aussi une autre dette du Crous.
J’ai travaillé dans la sandwicherie du Crous de Lyon et je n’ai pas encore reçu mon salaire de novembre 2008.

- Je vais quitter la France définitivement et je veux me licencier.

- Ok, mais je ne sais pas si on pourra te payer pour le temps que t’as travaillé avec nous, m’a dit Mme. Sauvage, directrice responsable pour mon contracte. Comme le paiement vient toujours avec une décalage de un mois pour les employés du Crous de Lyon, je était déjà hors de la France sans un compte français pour recevoir l’argent quand il est arrivé le jour de paie.

- Alors, vous pouvez me payez avant que je parte.

- C’est impossible. Mais je te remercierais si tu pourrais travailler jusqu’au 19 décembre au lieu de t’arrêter au 15. On ne peut pas embaucher un autre si vite.

La solution trouvée : ils m’auraient fait le versement d’argent sur mon compte brésilien.

- Qui va payer les tasses de change internationaux ? je leur ai demandé.

- ça n’existe pas, c’était la réponse.

Le salaire de décembre m’est arrivé au début de février et cela de novembre n’est pas encore arrivé.

Combien d’étrangers travaillent en France et ne reçoivent pas le salaire parce qu’ils doivent rentrer à leurs pays ou, simplement, ne veulent quitter la

France sans clôturer le compte bancaire ??? C’est très important clôturer le compte pour n’avoir pas de problèmes, non ?

Combien d’argent reste retenu en France ? C’est une question à poser.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

i post in italiano

Parentesi sul caso Battisti (10/02/2009)

Parentesi sul caso Battisti

Finalmente si è fatto l’amichevole tra le nazionale brasiliane e italiane, muore la protagonista del vero Grande Fratello e un sciopero minaccia i canali di Berlusconi. Ma uno dei scrittori pubblicati da Einaudi (proprietà di Mondadori,dunque anche del cavaliere) continua nella scena internazionale: Cesare Battisti, omonimo del anche scrittore, politico e fuggitivo trentino, è rifugiato politico in Brasile e il Tribunale Supremo di questo paese darà il suo parere definitivo soltanto a marzo.

Dopo che il ministro della giustizia brasiliana ha concesso lo status de rifugiato politico a Cesare Battisti, il procuratore generale della repubblica ha suggerito al Tribunale Superiore Federale del Brasile la chiusura del processo. L’Italia ha provato un ricorso nella giustizia brasiliana per l’anulare lo status di rifugiato a Battisti – quello che permetterà a lui di vivere libre, caso il Supremo Tribunale non conceda l’estradizione – ma non ha avuto successo.

E tutto questo perché?
Anche se il Battisti di Trentino fosse stato marxista e avesse preso parte nella lotta armata per l’autonomia della sua regione contro l’Impero Austro-ungarico, le coincidenze tra di lui e il ex-integrate dei Proletari Armati per il Comunismo finiscono subito. Innanzitutto perché secondo Battisti attuale vuole stare lontano dall’Italia.

E se quello Battisti del novecento sedici fosse stato condannato e impiccato senza negare le accuse contro di lui – ci si dice che gridava “treno italiana! Viva l’Italia” mentre moriva – il Battisti di oggi nega tutte le accuse: non ha ucciso il maresciallo degli agenti di custodia Antonio Santoro, né l’agente Andrea Campagna, neanche il macellaio Lino Sabbadin, e coll’uccisione di Pieluigi Torregiani non c’è niente da vedere.

Dopo un tour di nascondimento per la Francia, Messico e chissà più dove, Battisti è arrivato in Brasile, dove è stato arrestato in Copacabana a marzo 2007, proprio davanti al mare. E ecco che viene il 2008 con Battisti stelle dei giornale (quasi sempre con la stessa foto, vero...).

Il parere favorevole alla concessione dello status di rifugiato politico a Cesare Battisti ha 13 pagine e è stato scritto dal ministro dalla Giustizia, Tarso Genro. Il ministro considera che la domanda di estradizione fatta dall’Italia configura persecuzione politica e spiega perché sua decisione va d’accordo con la legge brasiliana e delle convenzione internazionale.

Genro ha sottolineato il documento italiano di domanda dell’estradizione nelle parte in cui Battisti è caratterizzato come qualcuno che ha agito “con la finalità di sovvertire l’ordine dello Stato” e di “sovvertire le istituzione e fare con che il proletariato prendesse il potere”. Questo sarebbe, secondo scrivere Genro, una conferma degli argomenti di Battisti e di sua difesa.

Lo Statuto dei Rifugiati in Brasile, regolamentato per una legge del 51, assicura l’asilo a tutti che abbiano timori di persecuzione fondati in motivi di razza, religione, nazionalità, gruppo sociale o opinione politiche e per ciò non hanno voglia di tornare al suo paese di origine.

Il fondamento della paura di Battisti è stato preso in considerazione per Genro che, per arrivare alla sua conclusione, ha fatto un'analise dei fattori oggettivi e soggettivi che fanno Battisti sentire la sua vita minacciata caso torni in Italia per compiere pena.

Dalla parte soggettiva, il ministro brasiliano da ragione a Battisti. Secondo lui l’Italia, nel periodo storico in cui Battisti ha commesso i crimini di che è accusato (anni ‘70 e ‘80) e in cui è stato condannato, ha impiegato con legittimità delle regole ordinarie e eccezionale contro i gruppi di azione diretta di sinistra.

Ma queste regole di eccezione hanno portato lo Stato italiano ad agire fuori anche delle norme della eccezione, con per esempio l’invenzione di nuovi delitti che hanno doppiato le infrazione esistente all’epoca – cosa che ha permesso l’arresto e carceramento di persone con base in semplici ipotesi. Nessun riferimento diretto è stato fatto alla partecipazione del governo italiano nella strategia della tensione, però il contesto è stato ricordato.

Quindi, Battisti che fu già stato stato considerato un perseguito politico in Francia e che vide ragioni politiche nella domanda di estradizione, ha, secondo Genro, ragione nel temere il ricevimento dello stesso trattamento vigente all’epoca dell’eccezione contro i gruppi simili a quel di cui faceva parte.

Dalla parte oggettiva, il ministro brasiliano dice che il contesto e le condizione in cui le accuse e il giudicamento di Battisti sono stati fatti sono motivi di dubbi, anche perché l’accusato, che si dici innocenti dei quattro omicidi, non ha avuto diritto ad un’ampia difesa. Inoltre, il ministro osserva che l’Italia non presenta accuse che impedono il Brasile di concedere lo status di rifugiato all’accusato.

Le manifestazione
Dopo la decisione di Genro, la stampa in Brasile si è fatta sentire. I giornale solitamente contrari alle posizione di sinistra del governo Lula hanno criticato Tarso Genro e parlato di posizionamento automatico alle idee di sinistra senza un’analise profonda del caso.

Ma anche personaggi associati alla sinistra brasiliana, come l’italo brasiliano Mino Carta, ha pubblicato un editoriale nel settimanale diretto da lui, Carta Capital, contrariando la decisione del governo e accusando Battisti e i gruppi brigatisti di essere stati nemici della consolidazione della democrazia in Italia.

Il sito internet del ministero della giustizia invece mantene in distacco una notizia col titolo “Cesare battisti: Quando il governo brasiliano è esempio di democrazia”. Il testo fa delle critiche ai grandi media brasiliani che vanno “d’accordo con la posizione del governo italiano che manifesta accentuato tono neocoloniale e eurocentrico”.

Fermato da intelletualli di riconosciuta importanza come l’architeto Oscar Niemeyer (responsabile della costruzione della città di Brasilia e della sede centrale dell’ONU a New York) e professore dell’Università più importante del Brasile, l’Università di São Paulo, il documento afferma anche che esiste “un processo di revanscismo politico in Italia” responsabile, tra alte, per fatti come l’elezione di Alemmano e di Fini, identificati col fascismo.

Anche illustri personaggi della comunità internazionale hanno manifestato suo appogio a Battisti, caso della scrittrice francese Fred Vargas e del colombiano, premio nobel di leterattura Gabriel Garcia Marques.

Così, Battisti che già aveva come avvocato Luis Eduardo Greenhalgh (che ha lavorato contro la torura e persecuzione politiche della ditatura brasiliana e, come Genro, è stato uno dei fondatoti del Partito dei Lavoratori, il PT di Lula) Battisti ha guadagnato l’apoggio di altri gradiosi della sinistra.

Adesso resta aspettare la decisione del Tribunale Supremo Federale del Brasile. Caso la decisione sia coincidente con quella del ministro Genro, l’Italia dovrà accettare la situazione o appellare di nuovo alla giustizia brasiliana, vicenda che difficilmente risulterà in una fine diversa del giudicamento della istanza suprema della giustizia del paese. La Corte Internazionale e il Parlamento Europeo non possono sovrapporsi alla decisione di un Stato sovrano, ma può, certamente disturbare la pace brasiliana.

Altre possibilità, assai improbabile ma in dibattito nella stampa, sono la rottura delle relazione diplomatiche per forzare il Brasile a venire d’accordo con la voglia italiana o persino una guerra – la cui porterebbe l’armata azzurra in Brasile per prendere a forza Cesare Battisti.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

les postages en français

La France et sa noble cleptomanie (21/02/2009)
Diam's - Ma France à moi (8/05/2008)
A bientôt, Amine (11/04/2008)
Le journalisme brésilen, un brève panorama (10/04/2008)
Notre ami David! "Hey, comment s'appelle?" (18/03/2008)

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Diam's - Ma France à moi


Ok! Pra aprender a botar video aqui mando esse clipe de uma musica que o professor de francês, mestre Jean-Pierre, apresentou na ultima quarta-feira. Agora que funcionou vou bombar de videos! hehehe

Ma France à moi, Diam's

Ma France à moi elle parle fort, elle vit à bout de rêves,
Elle vit en groupe, parle de bled et déteste les règles,
Elle sèche les cours, le plus souvent pour ne rien foutre,
Elle joue au foot sous le soleil souvent du Coca dans la gourde,
C'est le hip-hop qui la fait danser sur les pistes,
Parfois elle kiffe un peu d'rock, ouais, si la mélodie est triste,
Elle fume des clopes et un peu d'shit, mais jamais de drogues dures,
Héroïne, cocaïne et crack égal ordures,
Souvent en guerre contre les administrations,
Leur BEP mécanique ne permettront pas d'être patron,
Alors elle se démène et vend de la merde à des bourges,
Mais la merde ca ramène à la mère un peu de bouffe, ouais.
Parce que la famille c'est l'amour et que l'amour se fait rare
Elle se bat tant bien que mal pour les mettre à l'écart,
Elle a des valeurs, des principes et des codes,
Elle se couche à l'heure du coq, car elle passe toutes ses nuits au phone.
Elle parait faignante mais dans le fond, elle perd pas d'temps,
Certains la craignent car les médias s'acharnent à faire d'elle un cancre,
Et si ma France à moi se valorise c'est bien sûr pour mieux régner,
Elle s'intériorise et s'interdit de saigner. Non...

C'est pas ma France à moi cette France profonde
Celle qui nous fout la honte et aimerait que l'on plonge
Ma France à moi ne vit pas dans l'mensonge
Avec le coeur et la rage, à la lumière, pas dans l'ombre.

Refrain(x2)

Ma France à moi elle parle en SMS, travaille par MSN,
Se réconcilie en mail et se rencontre en MMS,
Elle se déplace en skate, en scoot ou en bolide,
Basile Boli est un mythe et Zinedine son synonyme.
Elle, y faut pas croire qu'on la déteste mais elle nous ment,
Car nos parents travaillent depuis 20 ans pour le même montant,
Elle nous a donné des ailes mais le ciel est V.I.P.,
Peu importe ce qu'ils disent elle sait gérer une entreprise.
Elle vit à l'heure Américaine, KFC, MTV Base
Foot Locker, Mac Do et 50 Cent.
Elle, c'est des p'tits mecs qui jouent au basket à pas d'heure,
Qui rêve d'être Tony Parker sur le parquet des Spurs,
Elle, c'est des p'tites femmes qui se débrouillent entre l'amour,
les cours et les embrouilles,
Qui écoutent du Raï, Rnb et du Zouk.
Ma France à moi se mélange, ouais, c'est un arc en ciel,
Elle te dérange, je le sais, car elle ne te veut pas pour modèle.

Refrain x2

Ma France à moi elle a des halls et des chambres où elle s'enferme,
Elle est drôle et Jamel Debbouze pourrait être son frère,
Elle repeint les murs et les trains parce qu'ils sont ternes
Elle se plait à foutre la merde car on la pousse à ne rien faire.
Elle a besoin de sport et de danse pour évacuer,
Elle va au bout de ses folies au risque de se tuer,
Mais ma France à moi elle vit, au moins elle l'ouvre, au moins elle rie,
Et refuse de se soumettre à cette France qui voudrait qu'on bouge.
Ma France à moi, c'est pas la leur, celle qui vote extrême,
Celle qui bannit les jeunes, anti-rap sur la FM,
Celle qui s'croit au Texas, celle qui à peur de nos bandes,
Celle qui vénère Sarko, intolérante et gênante.
Celle qui regarde Julie Lescaut et regrette le temps des Choristes,
Qui laisse crever les pauvres, et met ses propres parents à l'hospice,
Non, ma France à moi c'est pas la leur qui fête le Beaujolais,
Et qui prétend s'être fait baiser par l'arrivée des immigrés,
Celle qui pue le racisme mais qui fait semblant d'être ouverte,
Cette France hypocrite qui est peut être sous ma fenêtre,
Celle qui pense que la police a toujours bien fait son travail,
Celle qui se gratte les couilles à table en regardant Laurent Gerra,
Non, c'est pas ma France à moi, cette France profonde...
Alors peut être qu'on dérange mais nos valeurs vaincront...
Et si on est des citoyens, alors aux armes la jeunesse,
Ma France à moi leur tiendra tête, jusqu'à ce qu'ils nous respectent.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

A pegadinha do Mallandro aplicada pelo Banco do Brasil

Les « unes » de cette mise à jour : je viens de rentrer chez moi et de recevoir une lettre de mon ami Renato Brandao avec deux photos, l’une d’une grillage où on était ensemble avec d’autres amis et l’autre de l’équipe de sa classe, gagnante du championnat de la fac en 2005 ; comment la banque brésilienne m’a laissé sans argent ici à Lyon et a aussi suggéré qu’il s’en fout de ça ;

Duas da manha em Lyon. Acabei de entrar no prédio e, como de costume, bati o olho na caixa do correio. Geralmente só recebo propaganda, mas hoje tinha uma carta do Renato Brandão. Enquanto subia as escadas abri o envelope, tirei um manuscrito e duas fotografias: um churrasco na casa do Medici, realizado em 25 de março de 2006, segundo o Brandao. Da esquerda pra direita, podem-se ver Joao Peres, Leo Zanon, Ge, Rafael Sampaio, Bruno Mandeli, Tadeu Breda, Mala e alguém que deu as costas para a câmera – talvez eu ou o Balza.

Na outra foto, a formação campeã do MRCA (Movimento Revolucionário Carlos Avigue), time do sala do Brandao, na copa CJE de 2005. Goleiro: Renato Faria. Na linha, em pé: Joao Peres, Fabio Montanari (o Preiboi), Pedro Watanabe. Agaixados: Renato Brandao, Rafael Verissiomo e Tadeu Breda. Essa vem pra eu entregar ao Verissimo.

No manuscrito, palavras que não tem preço. Coisa que vem pra matar um pouco da saudades de casa.

Eu e uma instituição financeira chamada BANCO DO BRASIL (sic)

Verdade que os últimos dias estão mais tranqüilos para mim, estou me sentindo melhor na cidade. Mas nada como um belo transtorno pra mostrar que eu ainda sou paulistano...

Sete de Abril, seis dias se passaram desde o dia da mentira, da pregação de piadas mundial. Estou eu num Carrefour de Lyon há duas horas escolhendo os produtos mais baratos para prover minha casa durante o mês. Chego ao tão esperado momento de pagar e vazar o mais breve possível. “Serginho Mallandro, hahaha, glugluglu!!!”.

Acho que foi isso que a gerente do Banco do Brasil, agencia da Paulista disse quando recebeu minhas reclamações. Meu cartão internacional foi recusado por falta de dinheiro em conta, mesmo havendo dinheiro na conta. No bolso, pelo contrario, hão havia nada, “rien de rien”, como diria Edith Piaf.

Tentei sacar algo num caixa eletrônico logo em frente ao local de pagar. Saldo indisponível. Como? Coisa de sistema... sistema de merda.

“Sinto muito, vamos cancelar sua compra”, e deixei tudo: a compra, as horas de passeio agradável pelo mercado, a moeda de um euro que usei pra desengatilhar o carrinho. Na verdade, eu posso recupera-la quando o devolvo, ams dessa vez não o devolvi porque a moça do mercado o levou e eu nem lembrei da pequena prata.

Cheguei em casa, nada pra comer. So havia ido no mercado porque não tinha mais jeito. Ligo pra minha mãe, ela tem o trampo de ir ate o banco. Passam-se alguns dias, nada, mando alguns e-mails pro Banco do Brasil que, literalmente (desculpa mãe, mas esse vai ter que passar sem censura), o banco toca o FODA-SE.

Acompanhem minha agradável conversação com alguém que da a entender ser a gerente “Junia” da agencia 4080-0 do banco, mas que nem assina a mensagem:

Fábio Brandt

10 avril 2008 15:17

À: age4080@bb.com.br

Bom dia,

Sou correntista do BB desde 2005 e fui impedido de usar o dinheiro de minha conta esta semana em uma loja do Carrefour em Lyon, na França.
Contatei minha mae, em Sao Paulo, e solicitei que ela obtivesse esclarecimentos sobre a situaçao. Ela se deslocou ate a agencia 4080-0 e soube que minha senha havia sido bloqueada, por isso nao consegui efetuar um saque em caixa eletronico, e que minha compra nao havia sido autorizada porque o meu limite do cartao de credito ja havia sido excedido.

Nao compreendo a situaçao porque, antes de vir à Lyon, estive na agencia por quatro vezes e confirmei com as pessoas que me atenderam: sempre que houvesse dinheiro na conta eu poderia usa-lo.

Fui quatro vezes a agencia porque pedi ativaçao de uso do cartao no exterior, aumento de limite e tranferencia automatica do dinheiro da poupança para conta corrente (para cobri-la). Como esta ultima solicitaçao nao funciou tive de repetir a visita à agencia e tive outra oportunidade de perguntar se poderia usar o dinheiro da conta sempre. A resposta foi que com o limite novo e o limite de gasto diario, sim.

Nao ultrapassei o limite de gasto/saque diario em 7 de abril e mesmo assim fui impedido de usar meu dinheiro. Se o limite do cartao de credito foi excedido, o cartao de debito (cirrus) deveria funcionar e nao funcionou, nem para realizar um saque em caixa eletronico. O Carrefour aceita a bandeira Cirrus.

Emperrei uma fila gigantesca, fui obrigado a deixar toda minha compra e perdi as duas horas que passei dentro do supermercado, alem do mal estar causado por esse imprevisto. O transtorno se estende a outras contas que tenho para pagar e começam a vencer - hoje, alias - e atingiu ate minha mae que teve de se preocupar com o assunto.

Espero que minha confiança nos serviços do Banco do Brasil nao seja menosprezada e que os senhores possam me explicar o porquê de terem ocorrido esses imprevistos, porque essa situaçao nao corresponde à informaçao que fiz questao de obter mais de uma vez antes de deixar o Brasil.

Obrigado, espero uma resposta breve e uma soluçao.

Fabio Brandt


Fábio Brandt

10 avril 2008 16:41

À: Tania Brandt < >

[Texte des messages précédents masqué]


age4080@bb.com.br

11 avril 2008 00:08

À: Fábio Brandt

Fábio

verifiquei que de fato foram negados os saques como se senha bloqueada.

Porém não estão bloqueadas suas senhas, e seu cartão está habilitado para
uso no Exterior.-
Sugiro tentar novamente e veja se no país onde vc se encontra tem algum
atendimento via Central que vc possa descobrir o motivo da negativa.


Fábio Brandt

11 avril 2008 03:06

À: Tania Brandt < >

2008/4/11, age4080@bb.com.br <age4080@bb.com.br>:

[Texte des messages précédents masqué]

O proximo e-mail vai com copia pra duas autoridades : minha mae e meu assessor jurídico, senhor Gabriel Moura:


Fábio Brandt

12 avril 2008 02:24

À: "age4080@bb.com.br"

Cc: Tania Brandt < >, "Gabriel V. Moura" < >

Bom dia,

Hoje, 11 de abril, quando o cartao de credito ja foi pago, fui impedido novamente de usar meu dinheiro que esta em minha conta do banco do brasil. As senhas que a senhora ou o senhor constatou nao estarem bloqueadas nao estao bloqueadas porque minha mae ja teve o trabalho de ir ate a agencia 40800 e desbloquear.

Quem deve saber o motivo da negativa é sua equipe do Banco pois foi com os senhores que ativei o serviço de debito e credito no exterior antes de sair de Sao Paulo.

Se eu nao excedi o valor de saque e debito diario, porque nao posso sacar dinheiro em caixa eletronico? Porque a funçao Cirrus do meu cartao nao funciona se os senhores a ativaram quando sai de Sao Paulo? Porque meu cartao de credito credito ja esta pago e nem ele funcionaou hoje de novo no carrefour? Quem vai cobrir o prejuizo das minhas contas pagas com atraso? Se eu nao conseguir comprar as passagens necessarias para minhas viagens de estudos a tempo, como fica?

Aguardo sua resposta.

Fabio Brandt

2008/4/11, age4080@bb.com.br <age4080@bb.com.br>:

[Texte des messages précédents masqué]

[Texte des messages précédents masqué]


age4080@bb.com.br

14 avril 2008 15:11

À: Fábio Brandt

Fábio,
de fato senhas não bloqueadas e condição de uso no exterior ativadas.
Alguns países tem características diferentes- mandamos pela sua mãe um
telefone de contato para verificar tais características de saque na Franca
Respondemos via ouvidoria seu Responde.
Percebemos que no dia 12 vc conseguiu realizar um Saque.
Caso permaneça problemas- entre em contato-para que acionemos a Central de
Cartões
BB Paulistana


Fábio Brandt

14 avril 2008 18:26

À: "age4080@bb.com.br"

mesmo para telefonar para o 0800 de vcs eu pago ligacao internacioal. nao vou fazer isso por causa de um problema que vcs me causam.

saquei no dia 12, verdade, apos ficar alguns dias sem dinheiro por culpa de voces.


2008/4/14, age4080@bb.com.br <age4080@bb.com.br>:

[Texte des messages précédents masqué]

Enfim, paguei o aluguel atrasado, fiquei uma semana sem dinheiro e a gerente quer eu me vire pra entender o sistema do banco que me vendeu um serviço (cartão de debito) que não funciona. O problema é que pra fechar a conta preciso estar no Brasil, mesma coisa para fazer valer meus direitos de consumidor (lesado).

............................................................

Notas:

1) Fiz minha primeira prova aqui hoje. “Investigaçao jornalística face aos poderes”. Foi tranqüilo, escrevi com meu Frances macarrônico e agora espero a nota.

2) São vinte para as três da manha, pretendo acordar umas 9h para ir, pela primeira vez ao Parque de La Tête d’Or. Alem do espaço verde La funciona o deprimente (por definição) zoológico de Lyon. Mas vale pra conhecer.

3) Berlusconi foi eleito na Italia em 15 de abril de 2008, na Europa ocidental, no século vinte um.

4) Um clipe pra quem quer aprender um pouco da cultura francesa: http://www.youtube.com/watch?v=FUVagbFcSUU